Uma miríade de ideias.
Navegação

Você também pode navegar através do teclado:

:Próximo post
: Post anterior

No Twitter

 

Neste artigo, pretendo responder três questões acerca de ideários nacionais. Para ilustrar, a entrevista do historiador Erica Hobsbawn

 

1)    Como se dá a escrita da História e a construção dos ideários nacionais?

A escrita da História se dá através da análise subjetiva de fontes (históricas) fazendo-se perguntas  com um modelo atual para o passado. O ideário nacional é construído a partir da interpretação que as políticas nacionais assim desejam, portanto, em tempos anteriores à Escola dos Annales havia uma visão muito mais “iconofílica”, onde mártires e heróis são os líderes e únicos responsáveis por todos os feitos históricos, enquanto as fontes são exclusivamente documentos oficiais, cuja interpretação é mais subjetiva e tendenciosa. Pode-se pensar em um problema como o caso de uma guerra antiga; quando se fala que “o Rei Carlos Magno expandiu o império Franco através de suas conquistas”, torna-se este rei o único responsável e ator de uma campanha que, dada a visão contemporânea de escrita da História, foi ignorada por muitos pontos de vista diferentes pois não se escolhia colher a visão do escudeiro, do cozinheiro, do ferreiro, do próprio inimigo, etc.

2)    O historiador tem condições de fazer previsões para os desdobramentos futuros da História?

Absolutamente não. O Historiador analisa o passado com perguntas do presente. Um pouco mais filosoficamente, pode-se dizer que o presente e o futuro não existem de fato, portanto, a análise de itens que o historiador analisa são de fontes humanas do passado, traduzidas para uma visão do presente, não obstante, não anulam os estudos passados, ao contrário: acrescem outro olhar sobre uma mesma fonte histórica, quiçá, torna-se outra fonte histórica sobre como a ciência e sociedade pensavam em determinada época acerca de determinado tema.

Pode-se dizer, porém, que o historiador é capaz de compreender a contemporaneidade através dos acontecimentos passados.

3)    É possível que um indivíduo, sozinho,  seja capaz de mudar a História? Qual a relação do indivíduo com a situação para as possíveis transformações históricas?

Há duas maneiras de responder esta questão:

Sim. Pois, de maneira subjetiva, o indivíduo interfere em fatos e produz itens históricos, portanto, muda a história a partir do momento que constrói uma história e contribui para transformações históricas. Ora, que seria de uma guerra sem os soldados?

Não. Pois se consideramos o sentido estudado aqui da palavra “História”, não é possível alterá-la, vez que esta já aconteceu. Então, nesse sentido, a relação deste indivíduo será analisar o passado para compreender o presente.

Conclusão

Hobsbawn coloca que até certo ponto as contribuições de indivíduos como Hitler e Lênin são importantes e talvez tivessem a mudança tivesse ocorrido sem eles mas certamente não da mesma forma.

O que defendi na resposta anterior é que o indivíduo interfere nos fatos, portanto, não ocorreriam os fatos de maneira similar se não houvesse as contribuições dos indivíduos, contudo, tal contribuição só será medida dependendo da maneira que a história for estudada pois, conforme ele diz “depende da situação”. Esta situação será adequada dependendo da análise, portanto, gostaria de propor uma questão para exemplificar:

Um imperador cruel é ruim ou bom, dependendo do ponto de vista em que este for estudado. Pois para seus inimigos este poderia ser cruel mas para seus súditos, ser ótimo. Olhando para este exemplo, os fatos históricos que este indivíduo produziu são contribuições para a história e, conforme a análise de Hobsbawn, são únicos e sim, são impactantes ao futuro. Por outro lado, olhando pela outra resposta, este indivíduo pode ser retratado como um vilão, ou simplesmente apagado da história pelos seus sucessores.
De maneira prática, um exemplo é o que se fez durante muito tempo com Haroldo I da Dinamarca que é considerado o indivíduo que fez dos dinamarqueses cristãos. Este é considerado seu maior feito, contudo, é o ponto de vista cristão ocidental e, para seus súditos, ele trouxe paz duradoura e obras diversas na Escandinávia mas é retratado particularmente com fama negativa por conta da brutalidade de suas conquistas e ter se submetido em guerras com outros povos escandinávos.

Nessa visão o indivíduo tem papel fundamental mas tal papel acaba por ter uma visão interpretativa de quem “conta” a história.