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INTRODUÇÃO

Numa opinião muito particular, não concordo que o bullying seja problema e compreendo que é uma questão em que a escola tem um papel fundamental, os pais também. Contudo é uma visão equivocada a maneira que está sendo colocada por educadores e legisladores.

O bullying quando exagerado deve ter as mesmas conseqüências sociais que qualquer ação criminal que a sociedade de maneira geral condena e pune. Nem mais, nem menos. Entretanto, algum nível de bullying ensina o indivíduo algumas regras sociais que estão presentes em todo reino animal! Ora, como o indivíduo aprende a se defender ou consegue responder adequadamente a questões que ameacem sua vida, sua liberdade ou dos seus?

Assim, o bullying é um constructo social que é bem mais complexo que a visão analisada nos textos que estão em voga e que são multiplicados pela sociedade.

A escrita acima não é algo vão . Fui vítima de bullying quando criança (e por motivos diversos) mas compreendo que isto me fez tornar uma pessoa mais apta a conviver em sociedade. É um pouco de seleção natural: Não há maneira de que uma pessoa que seja alquebrada por questões sociais seja capaz de aceitar-se como indivíduo na mais perfeita acepção da palavra: Como ser individual e que possui diferenças.

ESTRATÉGIAS

Uma questão que não vi nos textos que encontrei foi a questão de que os agressores na maior parte das vezes querem tão-somente aceitação do grupo, enquanto os agredidos também compreendem muitas vezes que suportar tais agressões torna-o de alguma maneira parte deste grupo. Com o amadurecimento este indivíduo compreende que não há essa necessidade ou acomoda-se naquela posição e molda sua personalidade dessa maneira. E é aí que pais e professores devem agir, educando este indivíduo adequadamente de maneira que compreenda o que está a acontecer.

Também é papel de pais e professores imiscuírem-se na responsabilidade social de compreender que há limites para o bullying e que estabeleçam vínculo suficientemente adequado ao ponto das crianças e adolescentes confiarem seus problemas a estas figuras.

Compreendo, portanto que as leis e artigos acerca do bullying possuem duas vertentes: Como instituição/legislação tornar os indivíduos menos individuais, ou seja, que hajam de maneira homogênea de maneira que não representem questões para o ato de educar. Como educadores, também a mesma visão e outra de vítimas de bullying que colocam esta situação como maneira de preservar a próxima geração acerca da situação.

ALTERNATIVAS

 

Há críticas sobre esta questão pois a instituição/legislação torna tarefa da escola questões que deveriam ser passadas pela família e/ou pelo binômio família-escola, o que não acontece na maior parte dos casos e, enquanto escola sem poderes para punir os alunos e pais sem capacidade para educar seus filhos, a solução é compreender que havendo regras para lidar com o bullying tornarão todo o processo mais simplificado, desestimulando a intimidação, que deveria ser exatamente o resultado da disciplina escolar e familiar.

Quanto à visão de educadores e antigas vítimas de bullying que tornaram-se defensores dessas medidas, estes vitimizam situações que são exatamente em que deveria haver uma prática educativa.

Para fundamentar este discurso, uma análise sobre alguns trechos dos textos contidos como sugestão de leitura (http://www.chegadebullying.com.br/parents.php) e a legislação relacionada ao Bullying (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13185.htm).

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A crítica ao primeiro parágrafo é bastante óbvia quanto ao que se deve fazer: Ensinar às crianças que elas são diferentes! E devem aprender que nem todos concordarão com as diferenças, alguns utilizarão de ironia e até mesmo violência quanto a isso e que medidas se deve tomar? Se não for violência física, que se responda à altura, ou seja, ensinar à criança como se defender adequadamente, de maneira madura e pautada.

O segundo parágrafo tem uma reposta mais que simples: Por que uma criança ou adolescente deve utilizar a internet de maneira não supervisionada? Eis a questão mais simples: Pais e professores acreditam que a criança deve utilizar a internet de maneira indiscriminada? Que tal ensinar as crianças a utilizarem a internet.

Portanto, tais críticas tem haver como os pais e professores lidam com o assunto, não exatamente com a campanha do sítio acima que indica estas mesmas questões de maneira diferente mas com o mesmo objetivo: Ciência dos adultos.

Quanto à legislação, o início da Lei 13.185/2015 qualifica o que é Bullying, todavia, gostaria de destacar o trecho abaixo, em seu artigo 4º e 5º:

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Os objetivos do programa, de maneira simplificada é ensinar as crianças a agir de maneira adulta. Ora, se alguém age dessa maneira quando adulto há punições. No item VIII há esta questão que deve ser analisada e compreendida na forma de políticas educacionais mas não prevê a punição adequada (que pode ser com graus diferentes para aquelas aplicáveis a adultos), que é como os indivíduos muitas vezes apreendem as informações! Ora, indivíduos ainda em formação não têm respeito às regras até que tenham sido “convencidos” porquê das regras e isto é parte do processo de aprendizagem.

O artigo 5º reforça a idéia de que os pais têm menor importância no processo, ficando a cargo da família apenas o item IV do artigo 4º, contudo, a responsabilização pelos atos dos filhos não fica em local algum possível de verificação e em momento algum é mencionada responsabilização, o que de maneira indireta (e interpretativa) fere o Estatuto da Criança e Adolescente nos artigos 5º e 6º, conforme imagem abaixo, pois não permite o desenvolvimento plenos destes indivíduos interferindo em um processo natural do desenvolvimento humano, afinal quando se trata de “discriminação” a questão não é que ela não exista ou que deva ser desestimulada mas sim, que providências tomar quando esta ocorre e é isto que não foi possível verificar com este estudo.

O artigo 6º elucida que a criança e adolescente são pessoas em desenvolvimento e, como tais possuem condições peculiares que devem ser discutidas, pensadas e exploradas de maneira particular e individuais. Ora, onde está o apoio psicossocial a estes indivíduos. Será que os agressores também não são vítimas? Será que é na escola que acontece o maior conjunto de agressões? São perguntas que, quando respondidas e analisadas corroboram o pensamento descrito acima.