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Em se tratando de Escola é bastante importante compreender o contexto histórico em que está inserida, portanto, quando se vê o pretendido pelo vídeo, onde o objetivo pelo próprio tema da música que é ser “apenas um tijolo a mais no muro”, em que os atores afirmam não precisar mais educação, controle mental ou sarcasmos obscuros, coloca-se frontalmente relacionado ao modelo de educação onde se repete, sem abordagem crítica ou consciente do que se faz mas, tão somente fazendo parte daquele todo.

É deveras importante pensar acerca do histórico em que se constrói a Escola. Nesse sentido, a família e a religião deveriam educar aos indivíduos. Mais recentemente pode-se pensar – no contexto brasileiro – um momento de virada quanto a esta maneira de ver as coisas, na época da construção da Lei de Diretrizes e Bases em 1962 que sofreu os impactos por conta do período militar mas, pela primeira vez se iniciou de fato uma relevância na escola pública no Brasil. Com políticas concretas acerca do combate do analfabetismo e da profissionalização dos professores. Neste momento, no Brasil, temos Paulo Freire que trata da humanização e antropologia educacional, tratando acerca da libertação, em contraponto aos militares que desejavam uma pedagogia mais técnica e sem crítica social, olhando para a produtividade e racionalidade, com destaque especial para os cursos técnicos em detrimento aos cursos universitários, que eram foco de resistência ao regime.

O próximo momento foi a modificação da política nacional de educação através da nova LDB, de 1996, onde há maior liberalismo e, por consequência, mais intenção de gerar números para mostrar o quão mais eficiente era em relação ao governo anterior. Propagandeava-se uma política educacional liberal e popular, mas não necessariamente inclusivo tem-se aí a época de privatização, onde há a dicotomia pública de má qualidade X privada de boa qualidade.

Considerando o modelo de ensino mencionado para fins de contextualização ao cenário brasileiro aplicado, pode-se pensar nos dois autores solicitados ao trabalho: Marx e Dukheim.

Karl Marx, que em determinado momento não teve considerada tanta aplicação para a Sociologia no momento da criação desta ciência. Para Marx a relação de trabalho tem a ver diretamente da venda do tempo do trabalhador para um empregador ou empresa. Como a sociedade capitalista é uma criação burguesa, sua maneira de agir é adequada à produção e consumo, portanto, orienta-se diretamente à apropriação privada do trabalho, o que – para Marx – poderia até mesmo extinguir o Estado, o que seria o escol da realização da Sociedade. Desta maneira a sociedade do tipo socialista não haveria necessidade de governo, mas tão somente a associação de homens livres. Em outros termos: Indivíduos não explorariam outros indivíduos. Nesta lógica, gosto muito do filme Revolução dos bichos, que deixo o link aqui:

O contexto em que Marx está imbuído, que é o século XIX, não necessariamente trata a Educação mas define algumas características do que se deseja para o indivíduo não é a criação do novo mas corroborar e melhorar o já existente, o que permite, permeia e exalta o que está no vídeo e na imagem proposta no trabalho: Ser um membro útil da sociedade, apenas mais um.

Um dos conceitos mais interessantes e aplicáveis ao contexto Marxista na educação é a mais-valia, que trata o valor do trabalho como algo abstrato em que o salário deve ser dada pelo Mercado. Nesse sentido, a Escola trata diretamente da compensação do que se tem pelo esforço e dedicação depreendidas com esta atividade.

A teoria de Emile Durkheim girou em torno dos Fatos Sociais, que definem-se por elementos construídos pelos humanos e, de acordo como estão organizados, são impostos a eles, como são as Leis que são construídas para um bem da sociedade como um todo, de maneira a fazê-la funcionar melhor.

A importância da Escola para Durkheim é fundamental pois é exatamente neste local em que os indivíduos são apresentados à maneira que a sociedade funciona, suas leis, regras e maneiras de comportar-se socialmente, incluindo o que é considerado adequado ou não para a convivência social.

Tal conceito é o chamado Espírito de adesão ao grupo, que identificado por Durkheim o indivíduo é capaz de respeitar as regras e adequar-se à sociedade em que se está inserido, assim o indivíduo consegue compreender o motivo de estarem seguindo tais regras, regozijando-se pelo fato de fazerem parte e serem cumpridoras funcionais da sociedade que estão inseridos, dando um sentido de pertencimento.

O indivíduo que é capaz de cumprir estes laços pode ser considerado um Ser Social que, neste sentido é proveniente da escola (que é um Fato Social)está apto ao convívio social. Para aquele que não está apto cabe a marginalização.

Um comparativo entre os autores permite dizer que mesmo que Marx e Durkheim tenham vivido contemporaneamente, Marx compreende que o indivíduo não é individual, enquanto para Durkheim deve haver uma cooperação entre os indivíduos mas consideradas suas idiossincrasias. Em outra maneira de olhar esta questão, Durkheim pensava mais nas instituições ao analisar o cumprimento das regras, Marx preocupava-se mais com as pessoas, como elementos constituintes de um bem maior.

No ambiente escolar, isto é fundamental! Compreeender que os alunos possuem objetivos de aprendizados iguais mas maneiras diferentes de apreender o conteúdo é de suma importância para a educação de maneira geral.

Alunos e professores devem encontrar um meio termo entre ambos. Nesse sentido a visão do Alemão Max Weber trata das relações dos indivíduos que praticam ações sociais, dando significado às ações efetuadas pelas pessoas, portanto, não são grupos mas indivíduos que agem em relação aos outros, portanto relações sociais. Enquanto o Fato social de Durkheim trata do coletivo, o Ato social trata do indivíduo que através de suas ações formam a relação social.

No ensino moderno, o que mais se pretende é exatamente esta construção dos indivíduos. Em uma sociedade digital ainda mais: Cada indivíduo é capaz de aprender se sua maneira, com um objetivo comum mas observada de acordo com perspectivas e necessidades individuais.