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No contexto atual é um exercício de resistência do corpo docente tentar deixar de utilizar as tecnologias de informação e comunicação (TIC) em sala de aula. Nomeadamente a internet. Foi-se o tempo em que alunos e professores necessariamente tinham de estar no mesmo ambiente físico para produzirem uma aula. Foi-se o tempo em que os alunos utilizavam o conhecimento do professor exclusivamente como fonte de saber. Foi-se o tempo em que o professor continuava a ensinar as mesmas fórmulas independente do passar do tempo.

Possivelmente nas últimas décadas houve a introdução de diversas tecnologias e se pode comparar as mudanças da época em que os alunos deste curso estudaram para a época atual e a diferença já é grande. Deve-se investigar o conhecimento de tecnologia e talvez a questão de seu uso sob o espectro dos resultados obtidos com este uso, não somente pela maneira como se utiliza. Isto não é tarefa fácil, vez que as mudanças ocorrem a cada momento e, na educação tais resultados são colhidos a médio e longo prazo.

Portanto, pela falta de evidências concretas, apesar do enorme número de relatos de caso, estudos e artigos sobre o assunto, não há qualquer ligação comprovada entre tecnologia de informação e melhorias na aprendizagem. Evidente que há escolas que utilizam tecnologia eficientemente, consequentemente obtendo melhores resultados. Ao mesmo tempo, porém, não é o mesmo que comprovar que a tecnologia ajuda o aprendizado em si.  Não é a tecnologia que faz a diferença, são os professores.

A revolução na maneira que as crianças aprendem não necessariamente acontece pela utilização das tecnologias, vez que quando as tecnologias são utilizadas, mais o professor deve utilizar técnicas tradicionais, em outras palavras, tem de se especializar mais, conhecer mais. Um exemplo disso é o quadro interativo. É interativo, todavia independente da maneira que se visualize reforça em muito a ideia do professor na frente, de pé, em frente a turma, portanto, o domínio das técnicas pedagógicas devem permear o conduzir da aula deste profissional.

Há uma certa ironia no fato de que quando se possui acesso a todo tipo de tecnologia interativa o quadro interativo é uma versão glorificada do tradicional quadro negro. Este tipo de tecnologia torna o estudante um receptor passivo, ao invés de um participante ativo no processo de aprendizagem. Estudantes estão, em sua maioria, habituados à utilização da tecnologia, a serem pioneiros e utilizadores ativos de tais tecnologias. Fora da sala de aula.

O uso da internet revolucionou a maneira de pensar no contexto de sala de aula pois ao professor, permite uma variedade de abordagens ao conteúdo abordado, por consequência, um maior número de alunos atingidos por essa maneira de demonstrar o mesmo assunto. Permite ainda a extensão da sala de aula para o mundo externo, quer através de experimentos, quer através do próprio material didático que se torna mais dinâmico, interativo e de sobremaneira orientado aos interesses propostos em sala de aula.

Aos alunos o uso de TIC torna o contexto escolar mais instigante pois permite-o explorar “universos” muito para além da sala de aula, propondo perguntas e obtendo respostas que fornecem um maior conhecimento acerca do objeto estudado, fazendo inclusive ligações em contextos diversos àqueles abordados em sala de aula, trazendo muitas vezes para a sala de aula novas propostas de olhar sobre um determinado assunto, o que faz o ensino cotidiano tornar-se mais interessante aos discentes e docentes.

A abordagem em sala de aula acerca de conteúdos muda muito com o uso de TIC, em muitos casos muda até mesmo o conceito de sala de aula que deixa de ser um local físico mas pode literalmente ser qualquer lugar; muda o conceito de alunos pois se pode simultaneamente ter uma aula virtual para apenas um indivíduo ou se pode ter uma abordagem em redes sociais e de vídeos onde se tem milhares de alunos simultaneamente; muda o conceito de professor que não mais é o detentor austero de todo o conhecimento mas muito mais através de técnicas de ensino demonstra abordagens melhores sobre cada tópico da sala de aula, registra as referências adequadas para cada assunto e contextualiza os assuntos teóricos de maneira pautada e abrangente.

Deve-se observar frequentemente em sala de aula quando há uso das TIC a alternação de metodologias tradicionais e novas maneiras de abordar os mesmos assuntos com a utilização de TIC, além de um engajamento do corpo docente, de modo a enriquecer os conteúdos, encorajar os estudantes a aprofundar o conhecimento e expandi-lo através do uso das tecnologias, guiando-o sempre que necessários de maneira que os próprios discentes tomem posse do conhecimento que estão a adquirir

Desta maneira é possível concluir que não é a tecnologia em si o fator preponderante e decisivo, mas como esta é utilizada pois o investimento não deve ser em equipamentos mas em investir nos professores a confiança e competência de explorar tais tecnologias. Isto requer uma nova maneira de pensar no ensino e um melhor aproveitamento das oportunidades possibilitadas pela tecnologia.